Sistema de transportes no Brasil

Sistema de transporte do Brasil

O nosso amado e corrupto país possui um dos sistemas de transportes mais irracionais do planeta. Em 2008,  cerca de 96% da população utilizava o transporte rodoviário para viajar entre os estados. E no transporte de carga a porcentagem chegava a 60%. Nestes últimos 4 (quatro) anos pouca coisa mudou. Se levarmos em conta que estamos em um país tropical de dimensões continentais, o transporte rodoviário é a pior opção a ser adotada. Para termos uma idéia dessa situação observe  a quantidade de toneladas que cada meio de transporte percorre com um litro de óleo diesel:  um caminhão, transporta, em média, 30 toneladas de carga por quilômetro. No transporte ferroviário, com um litro de óleo diesel, transporta, em média, 125 toneladas de carga por quilômetro. E no hidroviário a capacidade é ainda maior, onde um navio, com um litro de óleo diesel, transporta, em média, 575 toneladas de carga por quilometro.

Nos EUA, o setor ferroviário corresponde a 50% da matriz de transporte, com 25% para o rodoviário e 25% para o hidroviário. Acho interessante a comparação com  este país pois ambos possuem dimensões semelhantes. O Brasil para complicar possui o clima tropical  (chuvoso e quente) que contribui para maior intemperismo do asfalto, ao mesmo tempo que os caminhões pela própria condição do peso contribuem para a deterioração em virtude do grande volume diário de mercadorias escoadas pelas vias. Sem contar que em termos ambientais o carro polui mais que os demais meios, proporcionalmente.

Desde o fim da Segunda Guerra Mundial só fez aumentar a quilometragem do setor rodoviário, enquanto que o ferroviário só diminuiu. O governo JK seria o responsável direto por esta mudança segundo os livros de ensino médio, mas a verdade é que o Brasil vinha optando pelo setor rodoviário ao priorizar investimentos já desde o inicio do século XX. O governo JK optou pelo rodoviarismo como política de governo em grande parte para estimular a vinda de indústrias, em especial do setor automobilístico. A rodovia Belém-Brasília foi o grande marco desse período. Lembre-se que Vargas optara por uma industrialização baseada em capital publico, enquanto JK por capital privado multinacional. Mesmo durante a ditadura o investimento no setor rodoviário continuou de forma agressiva, com a construção de uma obra faraônica que foi a transamazônica, que por sinal é um grande fiasco, intransitável durantes parte do ano e que boa parte nunca chegou a ser concluída. Esta rodovia acabou contribuindo de forma negativa para o bem estar ambiental, pois possibilitou a penetração das madeireiras e pecuaristas Amazônia a dentro.

O governo federal e muitos governos estaduais optaram por conceder a concessão das vias rodoviárias. A cobrança de pedágios é pratica recorrente no Sudeste do país. A grande vantagem é a qualidade das vias, diminuindo acidentes e gastos com manutenção dos veículos. A grande crítica é que já pagamos pesados impostos que deveriam ser revertidos em boas condições das pistas.

Ao invés de modernizar as linhas ferroviárias, as abandonamos. Alem do mais nosso traçado férreo era e ainda é baseado em um modelo agroexportador, portanto não integrava o país internamente. O traçado sempre foi sentido interior-litoral, diferente dos países desenvolvidos que integravam o país.

A irracionalidade é tanta que uma mercadoria produzida em São Paulo muitas vezes vai de caminhão para a região Nordeste, quando o porto de Santos esta a 60 quilômetros da capital. A navegação de cabotagem seria o mais obvio a se fazer. A cabotagem se refere a navegação litorânea, entre os portos de um país. Se analisarmos de forma simples e objetiva, o Brasil possui uma imensa “estrada” ao longo dos seus milhares de quilômetros de costa.

O transporte fluvial é outra ótima opção para o nosso território, lembrando que o país possui grandes rios. Mesmo nos trechos com grande desnível de relevo, obras como a construção de eclusas resolveriam o problema. Apesar de caras, as eclusas representam uma grande economia a longo prazo para o setor de transportes como um todo. Alem da dragagem dos rios, que consiste na retirada de sedimentos no fundo para aumento a capacidade de navegação de embarcações maiores.

O setor de transporte ainda tem muito que evoluir, mas nos últimos anos alguns investimentos vem dando fôlego ao país. Duplicação de vias, construção de ferrovias, e hidrovias representam um sinal positivo para as próximas gerações.

 

Cláudio Custódio